Uma dose de Diana Vreeland

Sabe aqueles dias em que você esta demasiadamente com a cabeça lotada de tanta informação, mais tanta que é incapaz de produzir o próprio texto, incapaz sequer de escolher a cor do próprio esmalte?

É nesses dias que peço uma pequena dose, apenas uma “dosezinha” da criatividade de Diana Vreeland, conhece? Não? Mas a Anna Wintour você conhece né? Pois é, Diana Vreeland veio antes, muito antes de todas essas editoras de moda que o google lista nas suas primeiras páginas (Carine Roitfeld, Anna Wintour, Franca Sozzani, Anna Dello Russo, Emmanuelle Alt e por ai vai) e se você por ventura tem por predileta uma das citadas acima, precisa rever hein?!

Diana Vreeland foi o maior “árbitro” da moda do século XX, dona de um estilo e elegância impares. Editora chefe de duas das maiores publicações do segmento, Harpers Bazaar e Vogue, conhecida também por sua criatividade ilimitada e inteligência lendária!

Diana com sua paixão pela vida e charme inconfundível energizou o mundo do estilo e da moda há mais de 50 anos. Nada mal para uma mulher que não tinha intenção de realmente trabalhar para viver, (“trabalho? Que ideia interessante.”). Também foi criadora e embaixadora de exposições fantástica no Metropolitan Museum of Costume Institute Art. Ufaaa cansei antes mesmo de começar a falar sobre a vida de mrs. Vreeland.

Reza a lenda, que no início da primavera de 1936, Carmel Snow, a lendária editora da Harper’s Bazaar, viu uma jovem mulher de cabelos escuros deslizando pela pista de dança no hotel St. Regis. Ela usava vestido de renda branca Chanel com um bolero, rosas em seu cabelo jet-black e maçãs do rosto fortemente maquiadas.

E teve a intuição que aquela mulher de sociedade, cheia de estilo, poderia ser uma ótima colaboradora para a Bazaar. E o resto da história já conhecemos ou não, Diana começou então um mandato na Bazaar que durou 26 anos, lançando- a assim como um ícone da moda americana.

Na Bazaar, Vreeland reinventou o trabalho do editor de moda. Escolhia a roupa que seria destaque na revista, supervisionava a fotografia e as modelos. Costumava afirmar:

Sei o que elas vão usar, antes de elas usarem. O que vão comer, antes de comerem. E até mesmo para onde vão, antes mesmo de o lugar existir.”

Em vez de simplesmente relatar os estilos e as tendências da moda, Diana começou a criar para motivar e popularizar certos objetos, atitudes e ideias. Ela fez isso com observações, comentários, inteligência e humor, mantendo o público americano, especialmente as mulheres, sempre querendo mais.

O biquíni é a invenção mais importante desde a bomba atômica”, foi uma declaração. “Não tenha medo de ser vulgar, chato”, foi outro.

Diana instruía seus funcionários para que usassem bijuteria barulhentas de preferencia com guizos, para que soubesse sempre quando estavam por perto. Me diz gente se essa não é a verdadeira DIABO VESTE PRADA?!

No início de março de 1962, começaram a surgir boatos de que Diana Vreeland deixaria a Bazaar. O empresário Sam Newhouse comprou a editora Condé Nast e deu de presente para sua esposa que imediatamente exigiu a contratação de Vreeland para ser diretora.

Em janeiro de 1963, tornou-se Vreeland editor-chefe da Vogue. Acredito na versão de que foi Diana que tornou a Vogue em status de “Bíblia da Moda”, ao contrário do que muitos afirmam ao dizer que foi Anna Wintour quando assumiu o cargo de editora-chefe em 1988.

Enfim, em 1971, em um clima constrangedor por fofocas e boatos correndo à tona, Diana é demitida da Vogue por “extrapolar o orçamento da revista”. Mas deu a volta por cima e no mesmo ano tornou-se consultora especial do Instituto de Vestuário do Metropolitan Museus de Nova York. De1972 até 1989, criou memoráveis exposições como a “The World of Balenciaga” (1973), “Hollywood Design” (1974), “The Glory of Russian Costume” (1976), e “Vanity Fair” (1977).

Apesar de ter sofrido muito na infância, com cobranças da mãe e irmã pela falta de beleza, Diana não nascera para estampar as capas de revistas como as jovens de seu tempo e sim para lidera-las. Beleza definitivamente não era o forte de mrs. Vreeland , mas eu pergunto quem precisa de beleza quanto se tem criatividade infinita e inteligência lendária?

Quanto ao seu ESTILO pessoal, diga-se de passagem, que isso não faltava em Diana. Adorava roupas elegantes e simples, joias exóticas, chapéus e sapatos maravilhosos estavam entre seus itens de moda favoritos.

Vermelho era a cor favorita de Vreeland. Ela disse que queria seu apartamento parecendo com um jardim no Inferno. Na verdade, não se parecia com um jardim no inferno, mas foi totalmente decorado em tons de vermelha laca de cor escarlate com revestimentos de parede floral, memorabilia e livros. No centro da sua sala de estar tinha um sofá vermelho brilhante cheio de almofadas.

Cabelo preto sempre no mesmo corte preso atrás das orelhas, batons e esmaltes vermelhíssimos, da mesma cor de seu apartamento e escritório na Vogue.

Sempre impecavelmente vestida e “cercada” de amizades como Rudolf Nureyev, Coco Chanel, Jackie Kennedy, Andy Warhol.

Diana imortalizou modelos como Twiggy, Marisa Berenson, Verushka e Lauren Hutton, reconheceu belezas até então consideradas “estranhas” como Barbara Streisand e Anjelica Huston.

Em 1989 terminou seus dias quase sem dinheiro, consequência de nunca ter se preocupado com o futuro. Passou seus últimos dias na cama, praticamente cega recebendo a visita diária do amigo André Leon Talley (editor-adjunto da Vogue América), que lia e lhe contava as novidades da cidade. Sobre a cegueira, corre a lenda de que teria comentado, sarcasticamente: “Meus olhos se cansaram de ver coisas bonitas.”

Diana Vreeland foi uma visionária no mundo da elegância, estilo e moda.

O problema com este país [é que] eles querem dar ao público o que ele quer. Bem, o público quer o que não pode obter, e cabe ao museu ensinar-lhes o que querem.”

Todos precisam de um pouco de mau gosto, o que eu não suporto é falta de gosto.”

Dinheiro ajuda a tomar café na cama. Estilo ajuda a descer uma escada”

O biquíni foi a invenção mais importante do século 20, depois da bomba atômica”

Se você não se veste bem todos os dias de sua vida, jamais estará bem vestida no sábado à noite”

A roupa não leva a lugar nenhum. É a vida que você vive nela que leva”

A modelo ideal não tem que ser perfeita, nem bela, mas sim impregnar de alma as roupas”

Sarah Jessica Parker em um dia de Diana Vreeland

 

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